sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eles estão à solta!

É a ditadura do proletariado! Ou melhor, do ex-proletário. A conversa de sujeito amigo, humilde, de homem do povo enganam a muitos, mas não a este eleitor. É que a ladainha boca de urna já ficou famosa. Vai virar até filme. Luz, câmera, eleição! E muita campanha.

Na arca do presidente a caravana é suprapartidária. Leva desde a guerrilheira Dilma até o tucano Aécio. Pelas margens do São Francisco, eles comem porco, o povo farelo. É um banquete sem fim! Enquanto o dilúvio atinge Duque de Caxias e outros lugares do Rio de Janeiro, a comitiva está preocupada com a propaganda para a sucessão em 2010. É um blecaute! Se a falta de luz foi culpa do tempo, a falta de vergonha é culpa de quem? Cegos no castelo. Instiga-me saber se as masmorras do deputado Edmar Moreira se apagaram? Se o governador José Serra e o prefeito Kassab já foram alguma vez vítimas do transporte público brasileiro. Instiga-me saber o que aconteceu com a reforma política? São tantas coisas que uma coluna seria pouco.

A verdade é que o Brasil ainda não saiu do estado de sítio. O judiciário e o legislativo cedem ao executivo. E o povo cede aos acordos, as promessas, as formas. No país da cordialidade quem briga pela reforma agrária é terrorista. E quem marcha por justiça é vagabundo. Melhor mesmo deve ser marchar por Jesus. Antes a cruz que a espada. Antes a fé que a certeza. Se o país é rico em terras, as terras estão nas mãos dos ricos. O agronegócio está preocupado apenas em exportar, em lavar dinheiro. Planta-se cana, extraí-se álcool. E o país se embriaga de importar arroz, comprar feijão e pagar por trigo.

É que o povo tem memória curta. Esquece das coisas. Na bancada governista, por exemplo, engula e digira o fato de que Collor é o líder da tropa de choque do governo. O velho coronel Sarney, por sua vez, é líder do parlamento e ainda tem tempo para nomear e desnomear em suas terras maranhenses. O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, responsável pelo galinheiro do pré-sal é um de seus caboclos. Sarneyzista no sangue e na alma.

Paremos por aqui. Façamos uma prece. Aproveite que hoje é sexta-feira 13 e junte suas figas, trevos, ferraduras e pés de coelho. Nas vésperas da eleição, os políticos sairão às ruas para a habitual caçada de votos. Lobos em peles de cordeiro. Bruxas no palanque. Tenha medo eleitor! Se uma destas criaturas baterem a sua porta não abra! Eles lhe oferecerão doces, mas só farão travessuras. Na hora de apertar “confirma” pense bem. A cor verde nem sempre significa ir pra frente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Chegou a nossa hora...

“Chegou a nossa hora” já diria o presidente, as Olimpíadas são aqui! O mundo está de olho no Brasil e eu também. Olhos abertos, boca fechada. Essa é a exigência para quem quiser tirar o passaporte verde e amarelo. No pódio um mandatário. Na platéia 1 minuto de silêncio. Tudo depende do tempo do discurso. Dos acordos e das promessas as populações ribeirinhas. É que já dizia um velho ditado: quando um burro fala o outro abaixa a orelha.

Mas não precisava ser assim. Não precisavam, por exemplo, ter cancelado o ENEM. Não precisava nem existir esse exame. Ora pois, o Brasil nunca passou no teste, quanto mais na prova. Foi a fraude dos babacas! O ministro da educação Fernando Haddad anunciou para quem quisesse ouvir que o Exame Nacional do Ensino Médio havia sido cancelado por suspeita de fraude. Sim, suspeita. Até porque no Brasil não existe certeza. Tudo ainda há de ser julgado. Avaliado, ponderado, estudado. O engraçado é que somos estudantes sem educação.
Fundamentais sem fundamental, colegiais sem Enem, universitários sem universidades. Públicas e privadas. A verdade é que as bundas sentam na mesma merda. E se acomodam.

Nas Universidades, brigam-se por feriados. Clamam-se por festas e por cruzeiros. A juventude de hoje está preocupada com a saia daquela que foi hostilizada em plena faculdade, mas se lixa pra saia justa da injustiça social... Aonde estão os angustiados, progressivos, revolucionários? Não se tem garra, não se tem sangue nas veias! O que falta é opinião. O que sobra Cara-Pálida é omissão.

A melhor passagem do hino brasileiro fala de luta, de erguer a clava forte. Mas a pira do povo é a tocha, é a festa. Até 2016 muitas águas vão rolar, mas o cartão postal do Rio desde muito tempo não nos recebe de braços abertos. Recebe a balas. A guerra no Morro dos Macacos é só mais um capítulo da falta de segurança pública no país. Mas a falta de segurança é ao mesmo tempo falta de emprego e de educação. Falta de oportunidade. Façamos um esforço. Para que o americano se sinta latino proporemos uma trégua. Na época das olimpíadas estenderemos as mãos a pobreza, ao esporte e porque não a uma pistola 42. Afinal, se todos dermos as mãos quem de nós sacará a arma?

domingo, 29 de março de 2009

Justiceiros contra a justiça

Fim do celibato! Após meses sem escrever uma palavra neste blog resolvi voltar a colocar em atividade a pena da galhofa. Justiça seja feita tem muita gente dando e levando sentença por aí. Cabe ao leitor escolher a minha.

Se a decisão é difícil, o juiz Fausto de Sanctis já tomou a dele. Na última quarta-feira, ordenou a cem agentes da Polícia Federal que entrassem na sede da construtora Camargo Corrêa e prendessem 10 funcionários. A acusação, ou suposição, baseada em grampos telefônicos, é a de caixa 2 e doações ilegais de recursos para parlamentares e partidos políticos.

A juíza Maria Isabel Prado também resolveu bancar a heroína. Condenou a empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, a 94 anos de prisão por crimes fiscais. Exagero ou justiça, ela ficou um dia no xilindró e já foi libertada. O Habeas Corpus foi concedido à empresária e de bonificação a mais outros cinco envolvidos na acusação.

Certa ou errada a justiça parece não ter critério para arbitrar. Além de Sanctis responder processo por desacato a decisões de tribunais superiores, as penas emitidas são no mínimo confusas.

Se a moda é condenar, o costume é não cumprir. Desse jeito, continua tudo na mesma. Mas claro, para mostrar que a justiça não é branda aplicam-se penas como essas, que baseadas em suposições, atrapalham as investigações.

O problema é que os vilões estão todos soltos. Empreiteiras ou empresários, políticos ou traficantes, todos eles respiram o ar da liberdade. Enquanto isso, a “Liga da Justiça”, formada por magistrados corruptos, policiais vendidos e comprados em um estado admissível e complacente com os descasos da sociedade usam as mãos, quando não estão atadas, para auxiliar e até comandar essas operações sem pé nem cabeça.

E o povo espera uma explicação, seja das condenações extravagantes ou da habitual impunidade. A justiça que é feita por justiceiros que se justifique.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A sapatada de Bush

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra! Neste caso, um sapato. Santo, ou não, o jornalista iraquiano Muntazer Al-Zaidi até poderia ter refletido, calculado, estudado um pouco mais antes de lançar os sapatos contra Bush, pois a ação, se mostrou falível ao passar alguns milímetros da cabeça do presidente e poupá-lo do “chute” que coroaria o pé na bunda, ou melhor, o pé na cara daquele que deixará a Casa Branca chutado pela opinião pública.

A atitude considerada uma das maiores ofensas dentro da cultura islâmica, é pequena se comparada as atrocidades de Bush. Mesmo assim, o pecador foi e continua sendo perdoado inúmeras vezes. Ao contrário de Al-Zaidi que foi severamente castigado por um crime que não cometeu. O jornalista foi preso, torturado e escreveu uma carta ao premiê de seu país se desculpando pelo gesto.

E pensar que as famílias iraquianas não receberam nem um telegrama daquele que resolveu por motivos ainda obscuros destruir suas vidas. Mas claro, não sejamos injustos. Já que em época de natal a solidariedade é o espírito vigente, Bush trocou os sapatos pelas sandálias da humildade e declarou a poucos dias que não estava preparado para a guerra.

Foi um erro. Definitivamente a “libertação” do Iraque foi uma sapatada criminosa, um tremendo engano. Ou pelos menos uma tentativa. Afinal, a quem os EUA achou que ia enganar com aquele papo de armas nucleares? A verdade é que a busca pelo petróleo fez com que os soldados americanos, heróis das capas “TIME Magazine”, se transformassem em verdadeiros mercenários inconscientes.

Mas que a piedade continue a ser a carta na manga da justiça, manifestada por seus próprios interesses. Soltem Bush, prendam o iraquiano. Despertem, mesmo que aos poucos, ondas de protesto como a em favor de Al-Zaidi e deixem que o povo decida. Enquanto não se atirar os sapatos naqueles que brincam com a humanidade, mas ao mesmo tempo querem fazer parte dela, os erros serão, assim, contínuos. Pois se errar é humano, matar não é, e praticar genocídio muito menos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Vitórias, derrotas e uma comemoração unânime

Saudações ao campeão, meus pêsames aos derrotados. Se a história glorifica os vencedores e infortuna os perdedores, é bem verdade que a alegria de uns é a tristeza de outros.

Começando pelos tricolores. Enquanto o São Paulo comemora o título do terceiro Brasileirão seguido e o hexa campeonato, os gremistas lamentam o vice, se contentam com a vaga na Libertadores e ainda sofrem com a gozação dos colorados, campeões da Sul-americana. Ademais, mérito ou sorte, o tricolor paulista é o campeão, doa a quem doer.

E que dor parece sentir o vascaíno. Depois de cair pra segundona, teve torcedor ameaçando cair até da marquise do estádio, dá pra acreditar? Se não fosse o bombeiro resgatá-lo, o sujeito ia perder a vida, e ainda por cima, perder a chance de ver o time enfrentar o Flamengo na Copa do Brasil do ano que vem. Já correm as más línguas de que o freguês não queria pagar a conta. É muita maldade.

Na Stock Car a novela foi menos dramática. Apesar dos incidentes durante a prova, o derrotado glorificou o vencedor: “Ricardinho mereceu. Ele fez um ótimo campeonato e ganhou mais corridas que qualquer outro. O título está em boas mãos", declarou Marco Gomes sobre o campeão Ricardo Maurício, fazendo valer a primeira parte do ditado: perder com classe, vencer com ousadia. Ousadia essa que Ingo Hoffmann mostrou de sobra. No dia de sua última corrida pela Stock, o alemão saiu do sétimo pro terceiro lugar e apesar da tristeza dos fãs por sua despedida, o consolo de um pódio foi praticamente um “final feliz”.

Aliás, quantos capítulos serão necessários pra determinar o final daquela operação comandada por Daniel Dantas? Parece que o primeiro já foi escrito: acusado de corrupção ativa o banqueiro foi condenado a dez anos de prisão em regime fechado e ao pagamento de multa de R$ 13,42 milhões. Se quem perde a vergonha não tem mais o que perder, Dantas já afirmou que recorrerá em liberdade. Resta saber se o judiciário vai manter a decisão ou se vai usar a borracha pra apagar esse capítulo, já gasta por tantas outras “correções”.

Em meio a tantas derrotas e vitórias, alegrias e tristezas contraditórias, uma das comemorações parece ser unânime: o “Plano Nacional sobre Mudança do Clima” lançado pelo governo na última segunda-feira. Além de contemplar metas para reduzir as emissões de gás carbônico na atmosfera, ele prevê a queda no total da área destruída na Amazônia em até 70% no prazo de dez anos. O objetivo é baixar de 11,9 mil quilômetros quadrados para cinco mil quilômetros quadrados o total da área devastada ano a ano. Ponto para o governo e para o Ministério do Meio Ambiente. Santa Catarina, o Brasil e o mundo agradecem e esperam o resultado para celebrar o que pode significar a alegria de muitos e a tristeza de poucos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Afinal, o Juízo Final

E tome chuva. O fenômeno já explicado pela ciência, previsto pelos meteorologistas, estudado pelos geólogos do universo e sei lá mais quem e de onde, convencem a muitos, mas não a este blogueiro.

Não é o caso que duvide deles, longe disso. Mas fiel que sou – e nessa hora todos serão - enxergo algo mais por trás deste tempo medíocre. Talvez seja culpa do aquecimento global o que vem acontecendo em Santa Catarina, ou em outras regiões deste Brasil, mas por via das dúvidas é melhor contar o que me passa.

É o Apocalipse, ou melhor, o Juízo Final. Chegou a hora. Os seres justos serão salvos, enquanto os ímpios, ou melhor, os não justos, hão de pagar o preço.

Há começar por aquela operação, Satiagraha. Aquela mesmo, do banqueiro Daniel Dantas e do delegado Protógenes Queiroz. A culpa é do banqueiro, mas parece que o delegado também tem que se explicar. Assim, enquanto a justiça daqui não resolve, a de lá, que nessa hora já esta por aqui, vai se preparando para o grande dia.

E que inunde a casa de Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta, os comissários racistas da American Airlines, a Abin, a PF e tantos outros que se cabem na lista divina, na minha também, mas não dá pra citá-los todos.

O problema é que não sei quem é o interlocutor desse troço todo. Se é a mídia, o estado, ou se tem algum advogado cuidando do negócio. O que sei é que as informações não estão chegando corretamente ao ser supremo. Afinal, a chuva vem caindo no mínimo tortuosa de seus objetivos de não atingir justos e sim os não justos.

Resolveu é assolar 42 mil pessoas e colocá-los pra fora de casa. Matou 59 só em Santa Catarina. Suspende-se as aulas, para o fluxo e o poder público nem aí para as ocupações irregulares em encostas de morro e em planícies fluviais.

É fenômeno natural é verdade, mas a postura ao longo dos anos foi de tapar os olhos pra esses problemas. Certo é que quem sofre com isso é o povo enquanto os ‘ímpios’ regozijam no chiqueiro da mordomia.

Mesmo assim, os fiéis continuam a rezar enquanto eles aproveitam um bocado. Se afinal, o Juízo Final, depender do nosso judiciário, estamos lascados, e se o Vasco contar com o fim dos tempos pra escapar da segundona, também.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Avaí de Guga, o Vila Nova de Túlio e o sonho da ascensão

Quando o Avaí estava na primeira divisão em 1979, Gustavo Kuerten tinha apenas três anos de idade. 29 anos depois, o ex-tenista, tricampeão de Roland Garros e torcedor mais ilustre do Leão, pode comemorar: o clube carimbou o passaporte para a Série A.


Guga foi muito festejado pelos jogadores e torcedores

E ele realmente comemorou. Com o estádio ‘Ressacada’ lotado, aos 29 minutos do segundo tempo, Evando chutou uma bola despretensiosa de fora da área e o goleiro do Brasiliense aceitou. Resultado: 1 a 0, vaga na ‘primeirona’ e festa de Guga e dos avaianos por todo Brasil.

Porém, a noite de terça-feira não foi marcada apenas por comemorações. Em Goiás, no estádio Serra Dourada, o clima era parecido, mas o desfecho foi outro. Quando o gol do Barueri logo no inicio do jogo parecia que ia esfriar o Vila Nova, o Tigre tratou de responder e comandado pelo meio campista Alex Oliveira, chegou ao empate no inicio da segunda etapa.

Daí pra frente a torcida do Vila se animou e tudo indicava que a virada estava por vir. Mas quando Basílio colocou o time paulista na frente novamente, as coisas só pioraram. Túlio apagado na partida até então, teve a chance de aos 20 minutos empatar o jogo em uma cobrança de pênalti. Mas não é que o vereador de Goiânia tratou de isolar a bola por cima do gol?! Resultado: Túlio foi substituído às vaias e a partida terminou com 3 a 2 para o Barueri no placar, complicando a vida do Vila na competição.

Sem seu faro de artilheiro, Túlio Maravilha parece ter perdido um pouco de seu ‘encanto’. Talvez por ter de ficar muito tempo na Câmara dos Vereadores esteja um pouco acomodado. Nunca se sabe. O que se sabe é que o sonho do Vila Nova de subir para a primeira divisão fica mais distante, enquanto o sonho do Avaí e de Guga vira realidade.

Outro sonho ainda em pauta do veterano Túlio são os 1000 gols e uma cadeira no Senado. Foi o que declarou há pouco tempo. Depois desse jogo é bem capaz que Túlio repense sua trajetória profissional. Em contrapartida, se dependesse da torcida do Leão ontem, Guga, que foi ovacionado, poderia se candidatar até à presidência.